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| O modelo americano de Saúde cada vez mais perto, sempre pelas mãos do mesmo partido, continente e Madeira. |
Q uando o nosso primeiro-ministro, Luís Montenegro, diz que o socorro e o transporte de doentes em urgência vão passar só para bombeiros e privados, o país fica a saber que a “reforma do INEM” é só um nome bonito para dizer: privatiza-se mais um bocado, malta, aproveitem enquanto ainda há ar público para respirar. A notícia vem do Expresso, mas podia vir de um manual de “Como transformar um Estado num supermercado XXL”.
Montenegro parece viver numa bolha dourada onde tudo é simples: ele ganha €8.768,65 por mês, por isso acha normal que o país siga o mesmo modelo, quem paga vive, quem não paga que espere sentado… ou deitado, se for urgente. É o típico sonho neoliberal: menos Estado, mais factura; menos direitos, mais cartão VISA; menos serviço público, mais “o senhor não tem plafond”.
E a lista pode crescer. Depois das ambulâncias, vêm as escolas: tudo privado, claro, porque educação pública atrapalha negócios. Depois os hospitais, porque cuidar das pessoas sem lucro é um conceito que o nosso Luís deve achar muito vintage. A seguir, polícias, prisões, tribunais… tudo privatizado, tudo brilhante, tudo com mensalidade obrigatória. Até os militares, coitados, um dia vão ter subscrição premium para defender o país.
O cidadão pobre que não pode pagar? Esse, segundo a lógica do nosso chefe do Governo, vai directo para o caixote do lixo social. É duro? Sim. É absurdo? Também. Mas é exactamente o que acontece quando um país troca direitos por recibos e transforma serviços essenciais em negócios de ocasião.
E tu, cidadão que vê tudo isto, não diz nada e não faz nada? Montenegro até te facilita a vida: a solução dele é simples — “Se não gostas, imigra”. Porque neste país sonhado por ele, quem não tem dinheiro não tem lugar. És tratado como pobretanas, teso, descartável.
Portugal precisa de políticas públicas sérias, não de fantasias privatizadoras que tratam a democracia como se fosse um catálogo de vendas. Este país não é um brinquedo na mão dos liberais de bolso cheio. É uma sociedade de pessoas reais, com necessidades reais, que merecem serviços públicos fortes, acessíveis e justos.
