Aumento de 151% da água foi travado!?


P ela primeira vez na história da Autonomia regional o Governo reconhece que errou e emendou a mão no aumento da água de rega para a agricultura. Não fosse a denúncia do JPP a pôr a boca no trombone para um aumento inusitado da ARM e este passava de fininho.

Passou propositadamente despercebida a reversão do aumento da água de rega para fins agrícolas que previa um aumento de 151%, conforme a Portaria n.º 87/2025 de 22 de janeiro. Ali lia-se que a água de rega para a agricultura ia passar a custar 42,13 € /hora/ano. Um tarifário denunciado na altura pelo JPP, que o Governo Regional nunca conseguiu explicar e que a efetivar-se seria a estocada final na frágil agricultura regional.

Entretanto os agricultores madeirenses começaram a receber as faturas da ARM e verificaram que os aumentos não foram tão gravosos como se supunha, face ao que estava plasmado na já referida portaria.

Uma consulta ao tarifário da ARM explicou o mistério. Em vez dos 42,13 da portaria, estava agora o valor de 17,79€/hora/ano. Dito de outra maneira, o Governo Regional “arrepiou caminho” ao ser denunciada a marosca que se preparava nas costas dos agricultores e que os condenaria à ruína. Assim, o aumento da água de rega para fins agrícolas ficou-se por um aumento de 6% (de 16,78 para 17,79€). Ainda assim superior em 2,5 p.p., à inflação verificada na Região que se situa atualmente nos 3,5% (outubro de 2025).

Sendo a água um bem precioso para todos os sectores de atividade e para o conforto das famílias, há que gerir este bem com critérios rigorosos. Neste sentido, a aposta do Governo Regional no golfe, uma atividade que consome água como nenhuma outra atividade é ambientalmente insustentável.

A título de exemplo, a rega do campo de golfe do Santo da Serra, segundo o seu Presidente António Henriques, consome por dia 838 metros cúbicos de água, o equivalente ao consumo mensal de 46 lares. São estes os números por detrás desta aposta do Governo Regional. Desperdício de recurso para uma atividade “desportiva” para elites endinheiradas. Um mês de consumo seria o equivalente a 1380 lares. Gostava de saber quanto vale este desporto em valor acrescentado para a nossa economia…


Nota do MO: autor, há outros que receberam o aumento e a questão foge da portaria, a ARM decidiu que alguns não são agricultura, num dos nossos textos explica isso, há quintas madeirenses em que o verde é mantido com água de rega acumulado em poços e que vão regando, muitas vezes num sistema racionalizado, o que é eficiente. Esses casos, por exemplo, tiveram um aumento brutal. Ao ponto da água canalizada ser mais barata. Cuidado que o aumento até para a agricultura pode ser gradual para chegar ao mesmo, podem achar que o erro foi ser tudo de uma vez mas não emendaram a mão, resolveram a questão política, da mesma forma como assistimos ao expulsar do comércio local com rendas no Funchal, com aumentos de contrato para contrato (ano a ano), até inviabilizar a rentabilidade, para depois converter os prédios para hotéis de cidade e alojamento local. Tem aqui um exemplo, ver imagem: link