![]() |
| O GR vive da ostentação do desenvolvimento que não existe. Recuperação e resiliência no fundo do "mare". |
A h, como é boa a vida nesta nossa pequena ilha onde o dinheiro escorre para os lugares mais… essenciais! Enquanto alguns retrógrados acham que os cofres públicos deveriam atender a essa coisa de lar de idosos, casas para quem não tem onde morar, ou medicação para os doentes oncológicos, os verdadeiros visionários veem o que realmente importa: observar o mar e a sua profundidade. Quer dizer, enquanto metade da população afunda em contas atrasadas, a outra metade pode, ao menos, estar representada nas profundezas do oceano.
Em nome da ciência e do progresso, nada mais justo que 1,5 milhões de euros, elegantemente geridos por João Canning-Clode, do MARE (ou seria “MARÉ de dinheiro?”), sejam canalizados para um projeto épico: o TWILIGHTED (link)! Um nome inspirador que lembra o crepúsculo, o mistério, o abismo... uma verdadeira ode ao potencial do país em investir em atividades cujas finalidades, ao povo, permanecem tão profundas quanto o próprio oceano.
Afinal, quem não prefere investir em mergulhos técnicos ao invés de entupir o orçamento com asfixiantes temas sociais? Ora, observar o oceano é a nova saúde pública! Repare bem: o dinheiro será para "recursos humanos especializados", "formação", "workshops", "intercâmbio entre equipas" e uma conferência internacional! Como ousar comparar isso com, digamos, a banalidade de uma cama num lar de idosos ou a mesmice de um comprimido para tratar câncer? Num mundo tão globalizado, só nos resta perguntar: que oncologista já organizou uma conferência internacional sobre medicação? Claramente, falta visão de mar.
E é mesmo essa juventude a precisar de casa? A juventude não está interessada em habitação, ora! Jovens querem expedições científicas! Imagine o potencial de intercâmbio entre equipas para a criação de memórias inesquecíveis! Sem falar nas "expedições" – a palavra por si só já provoca uma sensação de aventura que nenhuma renda acessível poderia proporcionar.
Portanto, deixemos os especialistas se aprofundarem, literalmente, nas camadas oceânicas. Pois enquanto a população enfrenta a aridez do desamparo, temos a certeza de que pelo menos nossos fundos públicos estarão bem hidratados – nas profundezas do TWILIGHTED.
Enviado por Denúncia Anónima
Sexta-feira, 25 de Outubro de 2024
Todos os elementos enviados pelo autor.
Adere ao nosso grupo do Facebook: Ocorrências CM
Segue o site do Correio da Madeira
