Q uero deixar um apoio sincero ao Miguel... Tristão Teixeira. Em tempos onde muitos preferem o silêncio confortável e têm medo, o Miguel escolhe falar, participar e levantar questões que muitos evitam. A sua intervenção cívica sobre a “loucura da asfaltagem”, e outros temas polémicos, mostrou que não tem medo de analisar, questionar e expressar ideias, tomar iniciativa, mesmo sabendo que isso possa atrair críticas e ataques pessoais (como vi numa publicação), algo que poucos estão dispostos a fazer.
O Miguel é correto e sobretudo não gosta do poder vigente, quer alternância por quem estiver melhor posição, no entanto, quando se apoia alguém ou partido, corremos o erro de falhar e, escrutinar os eleitos, é importante para não nos enganarem com uma retórica, conquistar o poder e depois fazerem o que bem entendem. Não gosto de claques partidárias que não criticam os seus partidos, isso é fanatismo, não se pode criticar os outros, como estratégia de ascensão ao poder e depois fazer o mesmo. É certo que o "original" regressará, não é para isso que o eleitorado muda de voto. Talvez esta postura e correção do Miguel lhe traga azias de fanatismos. Precisamos de estimar pessoas com coragem.
A Madeira precisa de vozes ativas e críticas, que desafiem o pensamento comum e levem à reflexão, ao invés de aceitar tudo sem escrutínio, o que mais existe com uma comunicação social fraca. Isso é um serviço à comunidade que nem sempre é fácil nem cómodo. A Madeira tem um ambiente terrível para isso. Num contexto em que a participação cívica muitas vezes se resume a comentários superficiais, o Miguel distingue-se pela capacidade de pensar criticamente, de observar a realidade com atenção e de partilhar opiniões fundamentadas, mesmo quando estas não são consensuais.
O facto de a sua intervenção gerar reações, críticas e até acusações é, paradoxalmente, prova da sua relevância. Só incomoda quem questiona narrativas estabelecidas e quem não aceita passivamente o discurso dominante. Num tempo em que a passividade se normalizou e a opinião fundamentada é frequentemente confundida com provocação, a postura do Miguel merece reconhecimento. Independentemente de concordâncias ou discordâncias, a sua participação enriquece o espaço público e reforça a ideia de que uma sociedade saudável precisa de vozes livres, informadas e corajosas. Ser livre e ter opinião parece crime na Madeira. Acabem com isso.
Miguel, obrigado por contribuir para o debate público com coragem, mesmo quando é duro, é esse tipo de participação que fortalece a nossa sociedade.
