L uís Montenegro governa Portugal como se o país fosse propriedade privada de elites intocáveis. Quando falo em “destruição”, refiro-me, de forma objetiva, ao desmantelamento acelerado das instituições que sustentam uma democracia funcional: escolas, serviços públicos, hospitais, inspeções, reguladores, e a própria confiança social. A lógica é simples: um Estado fraco deixa o cidadão vulnerável e o poderoso confortável.
A base desta crítica é factual, políticas que cortam capacidade pública e favorecem grupos económicos produzem, inevitavelmente, desigualdade, precariedade laboral e dependência social. Em qualquer democracia madura, esta equação é conhecida. Onde o Governo afrouxa, os lobbies avançam. Onde o Estado recua, o cidadão perde.
A governação de Montenegro tem seguido precisamente esse padrão: fragiliza quem trabalha e protege quem já domina. Isto não é opinião exaltada; é coerência política traduzida em prática. Um Primeiro-Ministro que nunca apresentou reformas laborais no período eleitoral, mas que agora as impõe com violência legislativa, viola o princípio básico da legitimidade democrática: o consentimento informado.
A narrativa governamental tenta romantizar “modernização”, mas o resultado é o oposto, um regresso ao faroeste institucional, onde a lei funciona para os fortes e falha para os fracos. Na prática, o país aproxima-se daquilo que os politólogos chamam de democracia iliberal: eleições existem, direitos minguam.
Os trabalhadores perceberam o risco. Por isso a Greve Geral de 11 de dezembro não foi um capricho sindical; é o último instrumento democrático disponível quando o Governo insiste em atropelar direitos fundamentais. Greves não surgem por gosto, surgem porque o executivo recusa corrigir o rumo.
Se as políticas laborais avançarem como planeado, teremos uma economia onde o trabalhador é descartável e o patrão é soberano. É um modelo neoliberal exausto, rejeitado em metade do Ocidente pela devastação que causa.
Montenegro pode tentar mascarar isto com discursos ocos, mas a realidade é inegável: governa para os ricos organizados, não para o povo que o elegeu. E quando um Governo representa interesses particulares contra o interesse público, a única conclusão democrática é esta: deve sair e dar lugar a quem queira reconstruir o país que está a deixar ruir.