Montanhas assertivas


V ale a pena esclarecer o conceito de “assertividade”, esse termo tão moderno que agora até dá nome a montanhas empresariais. Ser assertivo, no seu sentido clássico, é comunicar com clareza, firmeza e honestidade. Na Madeira administrativa, porém, “assertividade” parece significar outra coisa: Constituir uma empresa do nada. Ganhar contratos públicos em semanas. Ter ligações familiares estratégicas. No fundo, a Montanha é “Assertiva” porque não hesita: sobe, instala-se e conquista contratos com a determinação de quem sabe exatamente onde está o cume do interesse público… e onde estão as veredas paralelas.

Se a Madeira fosse um laboratório de experiências administrativas, “Montanhas Assertivas” seria aquele protótipo que aparece sempre com um contrato público quentinho à espera, tão quentinho que ainda vem a fumegar da impressora do IFCN. Uma empresa criada em setembro e que em outubro já limpava áreas naturais com 75 mil euros no bolso?

E tudo, imagine-se, decidido sem consulta prévia, sem necessidade de experiência, sem histórico, sem nada.

Mas a paisagem fica ainda mais pitoresca quando se descobre que uma das sócias é casada com um funcionário da Câmara do Funchal que passou quatro anos como assessor da presidência e da vereação. E que agora, numa coincidência tão extraordinária que devia ser investigada pela policia judiciária, é o único candidato a chefe da Secção de Fiscalização. Fiscalização. A sério.

Naturalmente, ninguém aqui insinua ilegalidades. Nem é preciso. A própria sequência dos acontecimentos já tem mais camadas suspeitas que quem está portearás disto não é assim muito inteligente. Uma empresa sem histórico, uma contratação instantânea, uma ligação familiar estratégica… tudo isto compõe aquela coreografia institucional que os madeirenses já conseguem reconhecer de olhos fechados. Dinheiro público entra, dúvidas legítimas multiplicam-se…

Jorginho do Carvalho…não te esqueças que quem vai dentro é o Presidente da Camara não é o assessor.