Funchal: a escalada da violência e a negação dos problemas


É sempre a mesma coisa, desvalorizam, não atacam atempadamente, entram em negação e o problema descontrola. Esta perfeição chamada Madeira, só de superlativos e bajulação cria um governantes de estufa. Só querem elogios gratuitos. Aconteceu com a droga, com os sem abrigo, com as doenças mentais (é vê-los nus na cidade), e a violência entrou no lote.

A notícia da agressão a dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) no Funchal, como a reportada no Jornal da Madeira, não é um incidente isolado, nem a rua das Fontes que se mudou para a Avenida Arriaga, mas sim um reflexo de uma perceção crescente de deterioração da segurança e da ordem pública na vida noturna, especialmente após o período de confinamento da pandemia de COVID-19.

Os dados oficiais de criminalidade nem sempre reflitem a totalidade dos incidentes de violência, é mais ou menos o PIB do Albuquerque que omite pobres. A sensação generalizada (relatada por operadores turísticos, comerciantes e residentes) aponta para um agravamento qualitativo e quantitativo dos episódios de violência, nomeadamente nas zonas de concentração da vida noturna da noite funchalense.

O fim das restrições pandémicas levou a uma explosão da socialização e, com ela, a um aumento da frequência de rixas e agressões, muitas vezes associadas ao consumo excessivo de álcool e estupefacientes. Se quem me lê consome notícias sabe que há relatos de que a violência se tornou mais gratuita e intensa. O uso de objetos perigosos e a agressão direta a autoridades, como a reportada na notícia anexa, sugere um menor receio ou respeito pela força policial e pela lei. A agressão a agentes da PSP, forçando-os a receber assistência hospitalar, é um indicador sério da escalada. Os governantes, alguns, não respeitam a Justiça e dão mau exemplo, criam imitações de impunidade.

Os problemas da violência noturna raramente existem no vácuo. São frequentemente interligados com outras questões sociais que, segundo a crítica popular e política, têm sido negligenciadas e desvalorizadas pelas autoridades locais e centrais. O consumo e o tráfico de estupefacientes nas zonas noturnas alimentam a desordem e aumentam o risco de confrontos. A visibilidade deste problema é percebida como crescente. A presença de indivíduos em situação de sem-abrigo, que enfrentam problemas de saúde mental e dependência, contribui para um ambiente de insegurança e degradação, sendo os seus problemas frequentemente empurrados para as margens da atenção pública. A tensão na sociedade, a intolerância crescente, e a combinação destes fatores cria um ambiente de cultura para a violência, onde a intervenção policial, como a que resultou na agressão aos agentes, se torna mais perigosa e necessária.

O Eduardo Jesus decidiu atuar no turismo, sinal de que já era indisfarçável o que se passa entre madeirenses e o turismo rasca, falta outro governante que se mexa para a violência, que não seja a senhora da inexistência de pobres... E a CMF?

Classificar os incidentes como "casos isolados" ou "fenómenos pontuais", evitando reconhecer uma tendência de agravamento estrutural é um erro.