As falhas da RDP Madeira


E stá temporal na Madeira e a Antena 1 Madeira, 104.6 num rádio a pilhas, está com cortes e flutuações no volume, isto não é vez única. Tendo o canal uma função de serviço público, pergunta-se se num caso sério de intempérie, desastre, etc, se este canal não deveria ter uma emissão mais segura para comunicação à população. Mandam-nos ter rádios a pilhas numa lista do essencial de emergências e depois o canal é frágil?

Acho esta observação muito pertinente e de grande importância, especialmente considerando o papel da rádio como serviço público em situações de intempéries, incêndios, desastres naturais, emergência que o historial da Madeira tem. Não me façam simulacros de hora marcada e via rápida livre, usem as realidades para melhorar, como esta da intempérie e cortes na rádio. Eu acho que a rádio deveria ser uma extensão da protecção civil na Madeira.

As autoridades frequentemente recomendam ter um rádio a pilhas como item essencial de emergência. Esta recomendação só é eficaz se o canal emissor for robusto e capaz de se manter no ar quando as redes elétricas e de comunicações móveis falham. É quase humor negro que nas notícias das 14h da Antena 1, desde Lisboa, a parte da da informação sobre a Madeira tenha estado com cortes permanentes. A questão crucial é qual a resiliência da infraestrutura de comunicação em momentos críticos, as redundâncias e a autonomia de gestão!

Há trabalho a fazer porque isto não é caso único, repete-se com intempéries. O problema pode estar nas redes de energia que alimentam os emissores e no sinal de rádio que pode ser transmitido para o emissor principal através de enlaces de micro-ondas ou fibra ótica. Se estas linhas de comunicação forem danificadas pelo mau tempo ou falharem, o emissor deixa de receber o sinal para retransmitir, resultando num corte. Agora estes cortes seguidos deve-se ao quê? Algum jornalismo pega neste assunto ou vão ser mais 4 páginas de bajulação a Eduardo Jesus e a Miguel Albuquerque?

A ocorrência de cortes sugere que o nível de resiliência não é o ideal para uma função de serviço público em emergência. Os canais de serviço público, especialmente em regiões vulneráveis como a Madeira, deveriam ter duplicação/redundância de sistemas, emissores de emergência noutros locais, sistemas de alimentação ininterrupta (UPS e geradores) testados e com combustível suficiente. O que anda a falhar, os cortes nos orçamentos da RDP/RTP? Devem ter manutenção preventiva reforçada, uma atenção especial à manutenção das infraestruturas críticas antes da época de maior risco e com spares (equipamentos suplentes para reposição). Ontem houve sismo no país e na Madeira tem havido, é preciso uma garantia de que, mesmo que o estúdio principal caia, haja formas de injetar uma mensagem de alerta prioritária na rede de emissores.

Este é um alerta para a entidade gestora e reguladora (RTP/RDP e ERC, respetivamente) e Protecção Civil, para que se invistam na robustez e redundância das infraestruturas de transmissão na Madeira. De que serve ter um rádio a pilhas, se a emissora se apaga quando a tempestade chega? A fragilidade da Antena 1 em temporais é, de facto, uma falha de serviço público que compromete a segurança da população em momentos de maior necessidade.

Alguém se candidatou ao PRR para esta situação essencial ou é só para campos de golfe?