O atual mercado imobiliário na Madeira espelha uma realidade socioeconómica insustentável para o residente local. Enquanto muitos madeirenses enfrentam baixos vencimentos e a impossibilidade de constituir família devido aos custos habitacionais elevados, observamos uma intensa atividade de construção e transação voltada para o turismo e investidores de elevado rendimento, por vezes de origem duvidosa. Tal como o setor financeiro, as imobiliárias prosperam com um modelo de negócio de "ativos zero" (os bens de terceiros), gerando riqueza rápida à custa de uma bolha habitacional.
O motivo central deste meu texto é a invasão e a falta de respeito demonstrada por algumas agências imobiliárias (exemplo em anexo) nas propriedades privadas. Todas são iguais, esta calhou no momento da minha escrita. Outra já fizeram o mesmo.
Em recentes reuniões de condomínio, a queixa é recorrente, a introdução indevida de propaganda pelas frestas das portas dos apartamentos. Esta prática não é apenas uma intrusão indesejada, ela representa um sério risco de segurança. Ao deixar publicidade visível, as imobiliárias acabam por denunciar aos amigos do alheio quais são os apartamentos que se encontram momentaneamente vazios, facilitando a ação criminosa.
Esta situação é particularmente alarmante para os residentes sazonais e emigrantes, que apenas procuram tranquilidade e a segurança dos seus bens sem ir à polícia durante as suas estadias na Madeira.
O meu prédio não é um caso isolado; tenho conhecimento de outros onde o problema foi reportado. As queixas apresentadas às autoridades policiais contra estas empresas, que atuam como intrusos indesejados nas propriedades privadas, infelizmente não produziram resultados práticos até agora.
Perante a ineficácia das vias tradicionais, tomamos a iniciativa de expor publicamente esta situação através do "Madeira Opina".
É tempo de pôr fim a esta "folia" e ganância. Os proprietários que desejam vender os seus imóveis procuram os serviços imobiliários ou vendem diretamente; não precisam de ser assediados nem sujeitos a táticas agressivas que visam "arrancar bens" à força, muitas vezes com o único propósito de lucro fácil junto de compradores estrangeiros. Muitas vezes são eles mesmo que se dirigem às imobiliárias e indicam a zona onde queriam ter casa e lá vem o arrastão das imobiliárias praticar este servicinho que denuncio.
Alertamos todas as imobiliárias, esta sofreguidão por angariações molesta os cidadãos e, pior, coloca os seus bens em risco ao sinalizar apartamentos vazios.
Já chega! Exigimos respeito pela propriedade privada e pela segurança dos residentes. Um dia chegamos a casa e o recheio já era... e para os senhores é só lucro com os bens dos outros?
Envio em anexo a nova forma de propaganda, como nos hotéis, nem a propósito, deixa-me dormir descansado.
