O "tamém" ganha colega.


Exmo. Senhor Secretário da Educação, Jorge Carvalho,

E spero que esta missiva o encontre bem e a salivar por um bom cafézinho, pois, tal como as boas discussões pedagógicas, este texto tem o seu propósito. Venho por este meio partilhar uma ideia que, creio eu, poderá enriquecer o nosso sistema educativo e, quem sabe, fazer de nós um exemplo internacional (ou pelo menos de uma boa gargalhada).

Imaginemos um cenário onde a falta de domínio da nossa amada língua portuguesa fosse considerada um crime passível de investigação pela Polícia Judiciária. Sim, leu bem! Com certeza, em vez de nos preocuparmos com crimes mais pesados, teríamos uma equipa de investigadores dedicados a detectar e processar aqueles que insistem em dizer "haja" em vez de "haja", ou "saí" em vez de "sai". Imagine a agitação nas nossas ruas! A Polícia Judiciária a patrulhar os cafés à procura de "pessoas suspeitas" que fazem erros gramaticais ou que, horror dos horrores, cometem crimes contra a concordância verbal!

A primeira pista poderia ser, por exemplo, a descoberta de um jovem que escreve "muitíssimo" com dois "i" em vez de um só. O que começaríamos a ver seria uma cena digna de um filme de comédia: agentes da PJ em plena ação, armados com dicionários e corretores ortográficos, prontos a prender qualquer um que falasse "tenho feito" em vez de "tinha feito". Uma verdadeira caça aos erros linguísticos! Claro que a nossa ideia não tem apenas o propósito de divertir. Também seria uma oportunidade de reforçar o ensino da língua portuguesa, promovendo a aprendizagem e a correção de uma forma leve e, quem sabe, até divertida. Sem contar que nunca é demais recordar a importância de falar e escrever corretamente, especialmente quando se ocupa uma posição de destaque, como a sua.

Não se preocupe, Senhor Secretário, a minha intenção não é realmente pedir a criação de uma força policial linguística. No entanto, seria fantástico ver a nossa língua portuguesa a brilhar em toda a sua glória, livre de erros e com toda a precisão que merece. A sugestão seria, talvez, dar uma ajudinha extra aos nossos estudantes e educadores com recursos ainda mais eficazes para tornar o domínio da língua um verdadeiro prazer e não um "crime"!

Visualize a cena: a Polícia Judiciária à caça de "suspeitos" que proferem "a gente fomos" em vez de "a gente foi" ou que ousam usar "haja" como se fosse "haja" num contexto que só um especialista poderia corrigir. E, claro, quem poderia escapar à mira desses detectives linguísticos? Com certeza, a própria palavra "gaguejar", que talvez, em algum momento, se tornou a sua companheira de palco. Um verdadeiro drama de polícia e gramatica, se me permite a expressão!

Agora, não se afligia, caro Secretário! A minha intenção não é fazer piada com os seus momentos de hesitação na fala ou com as pequenas incorreções que todos nós, mesmo com o mais sólido dos diplomas, eventualmente cometemos. No entanto, o que gostaria de sugerir é que a nossa língua portuguesa, apesar das suas complexidades, seja tratada com a atenção e o carinho que merece. Afinal, até mesmo os grandes oradores podem tropeçar nos meandros da nossa gramática — o importante é continuar a aprender e a melhorar!

Portanto, que tal, em vez de vermos a Polícia Judiciária a procurar erros linguísticos, nós investirmos mais em programas de formação e recursos educativos que ajudem todos, incluindo os mais distintos, a brilhar na nossa língua? A educação e o domínio da língua devem ser um esforço contínuo

Com os melhores cumprimentos e a esperança de que continue a melhorar, tanto no discurso como na prática.

Enviado por Denúncia Anónima
Quarta-feira, 18 de Setembro de 2024
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