A situação política atual tem demonstrado problemas da insularitite crónica madeirense que seria importante resolver.
É certo que se trata de o produto de erros históricos com séculos de permanência, desde a forma tardia como o regime de feudalismo se manteve à pala do colonato (até 1974), como o posterior caminho de entregar os destinos da ilha a um radical da FLAMA, que mais não fez do que baralhar e voltar a dar, de modo a que a distribuição da riqueza se mantivesse no controlo de uns poucos (sobretudo de si mesmo).
Na verdade, o "madeirense" enquanto elemento de periferia política não está muito distante do "transmontano", do "nortenho", ou do "interior esquecido e ostracizado". Só quem não conhece o extenso leque de caciques locais deste país (ou de outos) é que pode ter dúvidas. O oceano serviu como um Marão em que mandam os que para lá estão.
Ver a partilha de bandeiras da FLAMA, os estudos de "madeircidade", a criação de uma criptomoeda, ou as notícias sobre as "exportações madeirenses" (que têm como destino o continente) poderia ser considerado um perigoso ato de sedição, não fosse sobretudo uma pantomina, da qual resulta o reforço de um nós" contra "eles", tão natural na Sicília, como em Nápoles, ou noutras partes do mediterrâneo.
Daqui resulta também uma forma de agir que mais cedo coloca o estado de direito em questão, do que efetivamente amadurece e ganha robustez institucional.
Vivemos no tempo em que o continente está a 80 minutos de distância (há quem passe mais tempo no trânsito na periferia de Lisboa). Há pessoas de diversas origens que habitam a Madeira, sendo que historicamente a ilha sempre foi habitada por pessoas que em algum momento vieram do continente. Logo, a procura bacoca de procurar dar vantagem "aos de cá", mais não é do que o gesto de quem procura fazer valer a sua pequenez face aos demais, tão comum à Madeira como a qualquer outra parte do país. Se ela fosse válida em termos globais nunca teriam tido os madeirenses a oportunidade de se fazerem valer na Venezuela, na África do Sul, ou mesmo no "continente".
Já seria tempo de ultrapassar a insuluratite crónica e procurar criar uma comunidade adulta, enquadrada no espaço europeu, onde prevalece a democracia, os equilíbrio de poder e o estado de direito. Esse seria um bom futuro.
Infelizmente, tal como Margareth Tatcher criou o Tony Blair, o jardinismo criou a JPP, o que não augura nada de bom para o arquipélago.
José Esteves
Enviado por Denúncia Anónima
Domingo, 11 de fevereiro de 2024
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