As chuvas depois do incêndio florestal


B om dia caros amigos, num dia de alerta Laranja para chuva e vento, com especial incidência para a zona oeste onde ocorreram os recentes grandes incêndios, acho pedagógico dar algo de mim como alerta de todos, mas especialmente para aquele lado da Calheta e Porto Moniz.

As chuvas fortes previstas depois de um incêndio florestal podem criar uma série de perigos e desafios adicionais, uma vez que a vegetação que normalmente ajudaria a reter a água da chuva foi queimada, deixando o solo exposto e vulnerável. Quero abordar alguns dos maiores perigos associados a chuvas fortes após um recente incêndio florestal como o que tivemos-

Para já e naturalmente, a erosão e deslizamentos de terra: A queima da vegetação deixa o solo desprotegido, tornando-o suscetível à erosão. A água das chuvas podem literalmente "lavar" o solo, a água não tem tempo de percolar com a lenta queda através da vegetação e correr sobre um manto de cinza num primeiro momento, depois, cria ravinas e desencadeia deslizamentos de terra, que podem ameaçar estradas, casas e comunidades. Não esquecer que estamos a sair de uma longa sequência de dias de sol tórrido. Recapitulando, como consequência de não haver tempo de percolar, estamos mais sujeitos nas zonas dos fogos a inundações repentinas. A remoção da vegetação pelo fogo pode resultar em menos absorção de água e maior escoamento superficial, aumentando o risco de inundações repentinas. As enchentes podem ocorrer rapidamente, representando um perigo para pessoas, propriedades e infraestrutura.

A água depois de cair torna-se suja e com detritos, não estranhe que depois da tradicional água castanha na foz de cada ribeira em buscar de pedra que agora vejamos água preta. Mas também, a água da chuva que ainda percolar pelas áreas queimadas pode se tornar contaminada com cinzas, sedimentos e produtos químicos provenientes do incêndio. Isso pode afetar negativamente a qualidade da água e representar riscos para a saúde num futuro. É preciso estar atento, com análises, aos furos de água retirada dos lençóis freáticos.

Nem houve tempo para a pesada máquina do GR se mexer, apesar de agora ser feudo de ajustes diretos. O que equivale a dizer que a floresta está como acabou o incêndio. O bloqueio de estradas e pontes pode ser uma realidade devido aos deslizamentos de terra, árvores derrubadas ao que se junta depois as inundações repentinas.

Pouco se fala disto mas numa terra de muita "doença no nariz", a redução da qualidade do ar é real. A chuva forte pode lavar partículas de fuligem e cinzas liberadas durante o incêndio, levando à deterioração da qualidade do ar e a problemas respiratórios, o que pode ser prejudicial à saúde humana, sobretudo os menos resistentes.

A proteção civil deve estar tão atenta como se fosse um incêndio sobre o impacto nas comunidades das primeiras chuvas fortes, caso a previsão se concretize. As chuvas fortes após um incêndio florestal podem representar uma ameaça real para as comunidades que foram afetadas pelo fogo, particularmente se não houver medidas adequadas de prevenção e preparação. O que não houve, depois do exagero de sol e temperatura, agora água. Para minimizar esses perigos, as autoridades devem implementar medidas de contenção e aviso nas zonas referenciadas como perigosas. A construção de barreiras de contenção de água, a colocação de redes de erosão e a instalação de sistemas de alerta precoce devem ser implementadas como situação de recurso e depois a título definitivo. Há duas etapas, não sei se estamos preparados para a primeira, nunca vi na Madeira.

Finalizo com o seguinte, vamos começar um novo mandato com cara nova a liderar as questões da floresta, contudo, parece que o resto da máquina se mantém, quem vai liderar não terá novas formas de gestão da floresta, não haverá rins para mudanças, na restauração de áreas queimadas e a promoção de práticas sustentáveis de gestão florestal, saindo do seu uso para faturar e deixar plantações secas, o que é essencial para mitigar os impactos negativos das chuvas fortes após incêndios florestais e o problema não continuar a crescer para cada vez pior.

Amigos, não é com betão nem com empresas de construção a tratar da floresta que chegamos lá. Não desanimem mas ... está tudo errado! Há empresas que parecem os "abastos", os chineses e as lojas dos 300, há sempre mais uma coisinha para vender usando da posição no e com o poder. Temos que recuperar o manto florestal com sabedoria e aproveitando a oportunidade para se adaptar às Alterações Climáticas.


Enviado por Denúncia Anónima
Sábado, 21 de Outubro de 2023
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