O enguiço não quebra, a esquerda ganhou força devido ao tratamento colonialista dos EUA e a exploração dos seus recursos, passam por um regime autoritário de completo desastre, que nem os recursos soube explorar, e agora regressa o mesmo abusador para a salvação. Venezuela e Estados Unidos, a história de sair do cu para se meter no sesso.
E já que estamos numa de traseiros, Corina Machado bateu com o "cu no chão", a intervenção dos EUA não foi para ela, têm outra ideia para o fantoche a colocar para mandar na Venezuela, Trump à distância.
A leitura que hoje muitos fazem do percurso de Maria Corina Machado é a de um confronto que deixou de ser apenas interno e passou a expor as contradições do jogo geopolítico à volta da Venezuela. Machado bateu de frente com o regime chavista, mas também com expectativas externas que nunca coincidiram totalmente com o seu projeto político. À medida que o tempo passa, torna-se mais evidente que a chamada “intervenção” ou pressão dos EUA não tinha como objetivo central entregá-la ao poder, nem garantir uma transição conduzida por ela.
Durante anos, parte da oposição venezuelana alimentou a ideia de que Washington funcionaria como fiador último da mudança. Machado, com o seu discurso frontal, liberal e sem concessões, parecia encaixar nessa narrativa: alguém capaz de encarnar uma rutura total com o chavismo. No entanto, a política externa norte-americana raramente se move por afinidades morais ou ideológicas; move-se por interesses. E esses interesses mudam conforme a administração, o contexto internacional e o cálculo de custos e benefícios.
Com Donald Trump de volta ao centro do poder nos EUA, essa lógica torna-se ainda mais crua. Trump nunca demonstrou grande apreço por líderes estrangeiros que não possa controlar diretamente ou instrumentalizar. É o Putin do ocidente. A Venezuela, para ele, não é uma causa democrática abstrata, mas uma peça num tabuleiro maior: energia, influência regional, confronto simbólico com a esquerda latino-americana e projeção de força perante o seu eleitorado interno. Nesse quadro, uma figura autónoma, com legitimidade própria e capacidade de mobilização popular, pode ser menos útil do que um arranjo provisório, negociado e tutelado.
A ideia de Trump “mandar no país por algum tempo” não deve ser lida de forma literal, mas política, impor condições, influenciar decisões-chave, garantir que qualquer transição sirva primeiro os interesses de Washington, mesmo que isso signifique travar ou diluir o projeto de uma líder incómoda.
No fundo, o caso de Maria Corina Machado expõe uma velha lição latino-americana, alianças com potências externas são sempre assimétricas e temporárias. Quando deixam de ser úteis, transformam-se em silêncio, pressão ou substituição. A sua frontalidade, que a tornou popular entre muitos venezuelanos, também a torna difícil de domesticar. E, num jogo onde os grandes atores querem mandar sem se comprometer, isso pode ser visto menos como virtude e mais como obstáculo.
Resta saber se Machado conseguirá transformar esse isolamento relativo numa força interna, ou se ficará presa entre um regime que a bloqueia e aliados externos que nunca a quiseram verdadeiramente no comando. Claro que sempre com o entreposto Edmundo, mas parece que as conversas têm sido com a Delcy
E termino, os americanos acham que se vão passear na Venezuela? Há tanta tradição com armas como nos EUA, mas jogam em casa. O narcotráfico não vai cobrar?
