N os últimos tempos muito se tem dito e muitos se têm insurgido face ao número de turistas que chegam à Madeira. Queixam-se do trânsito na via rápida e da grande multidão que todos os dias visita diferentes pontos turísticos da ilha. Queixam-se das rent-a-car. Dizem que este turismo de massas que agora temos é prejudicial à Madeira, que acampam em pontos turísticos proibidos, que não ajudam a economia madeirense. Tudo isto pode ser verdade mas há algo que me preocupa mais e que parece que muitos ainda não estão a ver.
Uma coisa são os turistas que vêm e vão e a Madeira sempre foi um destino turístico, outra coisa é a vinda para ficar de estrangeiros. De acordo com dados oficiais em 2023, a população estrangeira representava 5,5% da população residente na Região (256.622 pessoas). Mas isto já lá vai. Hoje em dia estes dados estão totalmente desatualizados. E a mim o que me preocupa não são aqueles que vêm para aqui para trabalhar, mas sim aqueles que querem transformar a nossa ilha numa colónia estrangeira.
Por toda a ilha os madeirenses se queixam da quantidade de estrangeiros que, dado o seu grande poder de compra, compram tudo quanto é casa disponível. Eles podem, mas os portugueses com os ordenados que recebem não podem competir com eles.
Devido à minha profissão conheço pessoas à volta de toda a ilha. É triste saber que, na nossa terra os madeirenses não têm dinheiro para comprar uma casa, mas ainda mais triste é saber que esses estrangeiros, na maior parte naturais de países do norte da Europa, com destaque para os alemães que se tornam residentes e se comportam com os ilhéus, como se fossem os reis da Madeira. Desde acharem que os madeirenses são seus subordinados e que têm de saber falar a língua deles, desde pedirem satisfações às pessoas que passam na rua perto das suas casas e até nos condomínios em que tratam com superioridade e desprezo os naturais da ilha. Fazem tudo para que a sua vontade prevaleça. São os novos donos disto tudo que desprezam os portugueses que consideram inferiores, mas que querem a toda a força dominar a ilha para tirarem proveito da sua beleza, do seu clima e qualidade de vida. Alguém tem de ver, isto senão em breve os madeirenses que cá vivem vão ter de emigrar para dar lugar aos estrangeiros, para quem são um obstáculo à sua prepotência e vontade de dominar.
Diz-se que uma palavra que é só portuguesa é saudade e que não tem tradução noutras línguas. Schadenfreude também não existe noutras línguas e é usada quando alguém quer expressar um sentimento de satisfação que tem quando percebe o infortúnio de outra pessoa.
Espero que os madeirenses não venham a ter saudades da nossa Madeira!
Nota do MO para auxiliar:
O termo Schadenfreude (alemão) não possui uma palavra equivalente em português. É composto por duas palavras:
- Schaden: significa "dano", "prejuízo" ou "infortúnio".
- Freude: significa "alegria" ou "prazer".
Schadenfreude, é o sentimento de alegria ou satisfação que se experimenta com o dano, infelicidade ou infortúnio de outra pessoa. Em português, o ditado popular "pimenta nos olhos dos outros é refresco" expressa uma ideia semelhante a Schadenfreude, também existe a versão da Rafaela Fernandes, depende do "olho" em que arde mais ou dá satisfação...
