Dia da qualidade na Universidade da Madeira


Onde o rigor académico encontra a pandeireta institucional

S enhor Reitor, parabéns! Soube que dia 6 foi — pelo menos na sua cabeça — o Dia da Qualidade na Universidade da Madeira. Um dia de reflexão, excelência e compromisso com o futuro… ou, como parece ser agora, uma tarde de música, danças, e parabéns com bolo e aplausos.

Porque sim, caro Reitor, nada grita qualidade académica como um palco improvisado, um microfone a chiar e uma performance digna de um sarau de finalistas do 12.º ano. É bonito ver que o conceito de “melhoria contínua” se traduz, no seu dicionário, por “animação cultural e bolo de aniversário”.

Enquanto as universidades pelo país inteiro debatem métricas, avaliação institucional e inovação pedagógica, aqui na Madeira a qualidade é sinónimo de “festa temática com direito a palmas, selfies e duas funcionárias a soprar velas”.

Verdade seja dita, o cake design deve estar mais avançado do que a gestão estratégica.

Será que a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior já tem um novo critério?

“Critério Q7 — Grau de entusiasmo do Reitor ao cantar os parabéns”?

Se sim, estamos no topo. Medalha de ouro. Excelência com cobertura de chantilly.

Mas deixemos as más línguas de lado. Afinal, talvez o senhor tenha razão.

Num mundo cansado de relatórios, auditorias e rankings internacionais, talvez o segredo da qualidade universitária esteja mesmo em pôr o corpo a dançar e o espírito a celebrar.

Quem precisa de papers indexados quando há coreografias?

Quem precisa de inovação científica quando há karaoke e bolo de cenoura?

Só uma sugestão, senhor Reitor: para o próximo Dia da Qualidade, talvez seja interessante convidar os alunos e professores a participar — não como figurantes da festa, mas como parte da conversa. Afinal, a verdadeira qualidade não está no palco, mas nas salas que continuam a pingar do teto, nos contratos precários e nas aulas dadas em salas onde o projetor é uma peça de museu.

Mas sim, parabéns.

Qualidade, na sua definição, está viva — e canta afinado como um coro da Igreja.

A Universidade da Madeira pode não ser a mais competitiva, nem a mais moderna…

Mas ao menos é a que tem o melhor coro de parabéns do arquipélago.