A rede social da Primavera Árabe é agora instrumento das ditaduras.
Também na Madeira.
A moderação de conteúdo e das políticas de atuação das grandes plataformas como o Facebook estão a falhar porque os algoritmos e IA também são estúpidas e deixou de haver o bom senso humano. Existe censura, já não disfarçada, na Madeira, no caso do Facebook, existe um problema conhecido como a questão do "assédio coordenado" ou o "abuso do sistema de denúncias" (mass reporting ou report bombing), com o intuito de silenciar e fazer perder seguidores.
As políticas de moderação do Facebook e de outras plataformas confiam fortemente em algoritmos que são acionados, muitas vezes, pela quantidade de denúncias que um determinado conteúdo ou perfil recebe. Se há coisa que o partido dominante sabe fazer é se coordenar em massa, é o partido da massificação e destruição. É. neste caso, o paradoxo do volume e o "Ativismo do Silêncio".
Para uma empresa que lida com milhares de milhões de conteúdos, a contagem de denúncias é uma métrica de eficiência. No entanto, isto cria um paradoxo. Um perfil com milhares de seguidores, se for alvo de uma campanha organizada de denúncias, pode atingir rapidamente o "limite" que aciona a revisão automática ou mesmo a desativação, mesmo que o conteúdo seja factualmente verdadeiro. O dono do perfil pode se deitar tranquilo e isento e na manhã não ter conta de Facebook. É um problema de escala, onde a plataforma não consegue distinguir, de forma rápida e precisa, entre uma denúncia legítima e uma ação coordenada com o objetivo de silenciar uma voz. O problema é que depois do erro, não há ninguém para corrigir.
Este sistema é facilmente instrumentalizado para silenciar quem profere verdades "inconvenientes" para grupos organizados, sejam eles políticos, económicos ou de outra natureza.
Perder um perfil com "muitos contactos estabelecidos" é devastador. A perda da rede, do histórico e da credibilidade acumulada durante anos é um enorme obstáculo ao debate. Obriga a voz silenciada a recomeçar do zero, perdendo toda a sua eficácia e alcance justo no momento em que a sua mensagem é mais importante (como em períodos eleitorais).
Os sistemas de IA e os moderadores humanos que reveem as denúncias muitas vezes carecem do contexto profundo. É difícil para eles perceberem a dinâmica política local, os jogos de poder ou a veracidade factual de um comentário específico sobre um monopólio de portos, por exemplo.
As políticas de utilização da plataforma são genéricas (ex: "proibido bullying ou assédio"). Um grupo organizado pode denunciar um comentário crítico (e factual) como "assédio", e o sistema aceita-o porque a denúncia ativou a métrica de volume, sem conseguir analisar a fundo se a crítica se dirige a uma figura pública e é de interesse legítimo.
Em conclusão, assiste-se na Madeira a uma censura cada vez mais dura facilitada pela rede social, sobretudo o Facebook. É uma ameaça ao espaço cívico digital que depois é normalizado pelo jornalismo do mesmo regime.
O resultado final é que as políticas de moderação, desenhadas para proteger os utilizadores, acabam por ser usadas como uma arma de silenciamento. Ao permitir que a quantidade de denúncias pese mais do que a legitimidade do conteúdo e a liberdade de expressão, estas plataformas digitais, que se tornaram o principal espaço de debate cívico, criam um ambiente onde o poder económico e político pode, de facto, comprar ou coordenar o silêncio da crítica. Isto é uma séria ameaça ao pluralismo e à democracia.
Aqueles que não se importaram com a censura de muitos perfis e do Madeira Opina, plataforma de Opinião Pública, já ficaram mais preocupados porque lhes chegou a vez? O seu estatuto já não vale nada no meio da censura crescente?
Há opinadores de jornais que deveriam perceber que são legitimadores de censura e usados para fingir pluralidade. Já agora, há jornalistas em autocensura ou mesmo censurados por proprietários e diretores. Podem escrever livremente sobre o Governo ou Empresas pagantes (e não pagantes) de publicidade?
